Noite de domingo, depois do show do Arturo Sandoval, fui pro ponto de ônibus esperar o T7. Enquanto os minutos passavam e ele não vinha, tive minha atenção presa por um casal que discutia. Estava longe e tentei ser discreta (apesar da briga, eles também estavam discretos), mas fiquei pensando sobre relacionamentos, brigas e lugares públicos. Eles saíram. Segui a espera do ônibus e novamente minha atenção foi tomada por um outro casal. Esse estava ao meu lado e isso permitiu que escutasse a conversa do cara ao telefone.
“Vó tô aqui com a Mi, ela tá bem mal. O Brian vai fazer uma cirurgia na quinta e ela quer que a senhora coloque o nome dele nas orações, bláblá.”
E nisso, seguia a longa espera pelo T7. Nesse tempo, a menina (uma mulher, na verdade), chorava e parava. Um choro contido, baixinho, dolorido. E o cara sempre ao seu lado falando palavras de consolo. Deu para entender que Brian é o filho dela, nada mais.
T7 chegou, subi e sentei perto do cobrador. Eles foram para o fundo. Descemos na mesma parada. O caminhar deles era mais rápido do que o meu. Mãos dadas. Mulher com semblante perturbado. Homem tentando consolar.
Eu segui com a minha música do mp3. Mas lembrei que hoje é quinta, o dia da cirurgia do Brian. Que nem sei a idade dele e nem do que sofre. Vontade eu tive de chegar para ela e dizer: vai terminar tudo bem. Mas que garantias eu tinha? Só sei que espero que tenha dado tudo certo.