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Uma cadência balanceada

Na corrida, deixei para lá o balanço do ano que passou e o planejamento desse novo ano. E hoje, depois de uma conversa na internet e uma pesquisa no google, me deu vontade de escrever.

2009 foi um ano de altos e baixos. Perdi a vó e o vô ao mesmo tempo em que um bocado de gente entrou na minha vida. E desse bocado, tive a grande surpresa de conviver mais comigo. Foi um ano que me permiti a mais risos, mais encontros com os amigos, mais passeios comigo, novas cidades, novas experiências, novos tombos e vi coisas que tenho que mudar ainda.

Mudei mais uma vez de casa. Não me formei. Chorei menos. Vivi a o experimento de andar de muletas por um mês e depois disso passei a andar bem mais devagar. E tudo isso, porque resolvi achar que sabia andar de patins. Casei com Porto Alegre e conheci novas pretendentes.

Diria que 2009 foi o ano que até agora mais parei para aprender e escutar o que quero. Espero que nos próximos eu siga assim.

Hm, taí. 2009 foi o ano do conhecimento.

Já em 2010 não sei bem o que esperar. Se for me guiar pelos primeiros dias, diria que tenho que esperar um ano bem árduo. Trabalhoso. Mas com seus momentos de alegria. Aí lembro de uma música do Tom e do Vinícus que tocou num café numa das poucas viagens que fiz com a mãe:

“Tristeza não tem fim. Felicidade sim”.

Pretendo cuidar bem da minha felicidade.

Um exemplo é meu presente de aniversário que tô esperando. Um livro que quero desde os meus 7 anos. esqueci dele por um tempo, voltei a lembrar e sempre fui adiando. Até que ontem, duas semanas antes da data, resolvi comprá-lo. Ao mesmo tempo foi minha primeira compra virtual.

E hoje com o encontro com o passado, procurei no deus google uma poesia que encenei na segunda série, quando a professora nos apresentou Cecília Meireles. Espero que ela esteja no livro Ou Isto ou Aquilo, se não tiver também não faz mal. Deixo ela pruma próxima data.

Lá vai:

As meninas da janela

Arabela
abria a janela.

Carolina
erguia a cortina.

E Maria
olhava e sorria:
“Bom dia!”

Arabela
foi sempre a mais bela.

Carolina,
a mais sábia menina.

E Maria
apenas sorria:
“Bom dia!”

Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.

Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
“Bom dia!”

(“As Meninas” de Cecília Meireles)

Cidades – Parte 2

Casei. E não contei para ninguém. E o pior, em um ano de casamento já trai minha marida.

Calma aí camarada.  Já explico com quem casei.

Em janeiro de 2008, escrevi aqui nesse blogue um post sobre cidades.  Nele, falava nas sobre os lugares que conheci e o que representavam para mim. Algum tempo já se passou, viajei mais. E casei.

Percebi que havia casado com Porto Alegre esses dias andando pelo centro. Minha marida como a chamo. Nossa relação começou de verdade em 2002, quando vim morar nas suas ruas. No início, paixão fulminante. Mas com o tempo tivemos nossos desesntedimentos. Mas agora, temos um caso sério.

Porto Alegre me tem. Seu cheiro, suas saliências, sua voz. É raro um dia de briga, principalmente na primavera. Verão é quando ela fica mais insuportável. Marida temperamental essa minha.

Tudo ia muito bem. Até que conheci Paraty. Ah, Paraty, fez eu jurar que quando tiver cabelos brancos habitarei nas suas ruelas. Não sei se vou cumprir a promessa, por enquanto mantemos aquele amor de cartas. Com alguns suspiros e pouca realidade.

Curitiba também se atravessou no caminho. Mas foi caso de um final de semana só. Adorei seu centro histórico e ela me apresentou um bar com chorinho de primeira qualidade. Mas paramos por aí.  Quem sabe algum dia Curitiba me conquiste mais?

Depois, vem o meu caso mais sério. Uma paixonite até diria eu. São Paulo, a cidade cinza. Roubou um pedaço do meu coração com a Vila Madalena, Pinacoteca, MASP. Entretanto, não é isso o que me impulsiona para uma possível separação da minha marida. Aquele lugar tem um quê que mexeu comigo. Abalou as estruturas e quero viver isso. Não por agora. Mas preciso logo.  Pode ser sua mistura, questão de pele, sei lá. Só sei que logo aporto na terra da garoa.

A última – pelo menos por agora – é o Rio de Janeiro. Mas sei não, me pareceu meio incosntante. Não sei se nosso relacionamento daria certo. Mas mesmo assim, pretendo cometer algumas semanas de infidelidade e voltar lá. Santa Teresa e praia. Por enquanto, são essas suas maiores qualidades. Sei que o Rio prometeu mostrar mais de sua essência. O gostinho de quero mais, saca?

Daí me pergunto:

Por que seguir casada com Porto Alegre?

Essa parte deixo pro Chico Buarque explicar através de Valsinha.

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

É com essas noites de danças que Porto Alegre me tem e me conquista cada dia mais.

Tempos de Feira do Livro e Jacarandas/Ipês floridos

Sorte, Brian

Noite de domingo, depois do show do Arturo Sandoval, fui pro ponto de ônibus esperar o T7. Enquanto os minutos passavam e ele não vinha, tive minha atenção presa por um casal que discutia. Estava longe e tentei ser discreta (apesar da briga, eles também estavam discretos), mas fiquei pensando sobre relacionamentos, brigas e lugares públicos. Eles saíram. Segui a espera do ônibus e novamente minha atenção foi tomada por um outro casal. Esse estava ao meu lado e isso permitiu que escutasse a conversa do cara ao telefone.

“Vó tô aqui com a Mi, ela tá bem mal. O Brian vai fazer uma cirurgia na quinta e ela quer que a senhora coloque o nome dele nas orações, bláblá.”

E nisso, seguia a longa espera pelo T7. Nesse tempo, a menina (uma mulher, na verdade), chorava e parava. Um choro contido, baixinho, dolorido. E o cara sempre ao seu lado falando palavras de consolo. Deu para entender que Brian é o filho dela, nada mais.

T7 chegou, subi e sentei perto do cobrador. Eles foram para o fundo. Descemos na mesma parada. O caminhar deles era mais rápido do que o meu. Mãos dadas. Mulher com semblante perturbado. Homem tentando consolar.

Eu segui com a minha música do mp3. Mas lembrei que hoje é quinta, o dia da cirurgia do Brian. Que nem sei a idade dele e nem do que sofre.  Vontade eu tive de chegar para ela e dizer: vai terminar tudo bem. Mas que garantias eu tinha? Só sei que espero que tenha dado tudo certo.

Balanço

Criei meu primeiro blogue em abril de 2007, mais de dois anos. e esses dias aproveitei e reli todos os posts. Tanto do primeiro como desse. E o que me atingiu foi um baque cheio de sensações:. alegria, surpresa, saudade e até certa tristeza. Não lembrava o tanto que reclamava por ser incompleta, outros textos me tocaram (principalmente esse), vi que coisas que achava antes impossíveis de viver sem consigo tranquilamente hoje em dia. Aprendi a ser mais leve, a não me cobrar tanto, a rir mais e a viver mais o presente sem tantas preocupações futuras. E o que isso me trouxe?

Mais sorrisos, mais momentos felizes, completos. Não vou negar que ainda tenho dias péssimos, e que bom que eles existem. Atráves dele vejo o como é bom ter um dia de sol depois de uma tempestade – e sim, a tempestade também tem seu valor. Minha formatura está quase certa que não vai ser nesse semestre, novamente. E isso já não me causa tanto pavor.

Digamos que cresci e aprendi a conviver que essa mulher aqui. Tenho muita coisa para melhorar ainda. E creio que nunca estarei satisfeita, ainda bem!

Pequenas bobagens, mas uso mais exclamação nos textos. Já andei de avião. e conheci uma penca de gente nova. Alguns de passagem, outros que ficaram e espero que permaneçam.

Me sinto mais esperta para vida e mesmo com tudo que aconeteceu esse ano (vó e vô), 2009 tem sido muito bom mesmo. tentarei aparecer mais por aqui. boa semana!

Dia dos Namorados

Lembro até hoje o primeiro presente que ganhei nos dia dos namorados. Um lindo ramalhete de rosas vermelhas. mas o melhor foi o cartão: “Feliz dia dos Namorados! Da tua eterna enamorada, vovó”.

Esse é o primeiro ano que passo sem ela. Sorte que estarei viajando. Mas a saudade aperta quando lembro disso. O cartão está bem guardado junto a outras cartas e bilhetes de amigos queridos. É difícil perceber/aceitar que as pessoas a quem amamos também envelhecem. Principalmente, aquelas que tu sabe que possuem um amor incondicional por ti.

Nessa semana que se aproxima, escutarei um belo bolero em tua homenagem vó.

Volta temporária

Nesses últimos meses, me afastei mesmo do ultima pohia. Havia até decidido não mais atualizar. Mas hoje deu uma vontade de voltar aqui…

No próximo domingo completa 4 meses da morte da vó. E no dia 9, fez 3 da do vô. Segue – e acho que por muito tempo vai ser – estranho estar em São Gabriel sem eles. Lá é que a saudade aperta. Sonhei muito com eles. A maioria coisa boa. Muitas despedidas. É minha maior lamentação não ter dado o tchau derradeiro.

Um dos pontos positivos disso tudo foi a aproximação de alguns familiares. A dor faz crescer e acaba por unir. No entanto, nem tudo são flores. Sempre há aquelas pessoas que não respeitam a dor e complicam tudo. Infelizmente, quem enfrenta isso é a mãe.

Gosto de lembrar deles. Da vida que levaram e do amor que compartilharam. Penso em tudo isso como parte de mim, da família e de quem eu sou. Posso ter memórias falhas, preenchidas pela imaginação, mas no fim os nós são tão perfeitos que tudo se confunde com a realidade.

As vezes paro para pensar na vida, pesar o meu caminho e escolhas. Se isso mesmo é o que me faz feliz. Não tenho respostas. Nem sei se há uma forma de tê-las. No entanto, quando dou esse tempo me esforço ao máximo para tentar, ao menos, seguir o rumo deles. Não as práticas da vida, mas a vontade de viver e se entregar.

A única coisa que não quero ser igual é nas mágoas. Se chegar aos 70, quero estar vivendo o presente ainda. Com planos e esperança, não quero dividir a casa somente com fantasmas do passado. Respeito a existência deles, mas não será todo o dia que estarão circulando livremente. Resta o armário. Ou mlehor um baú. Lá já estão as melhores lembranças da minha infãncia e antigos sonhos para o futuro.

Era uma vez…

em que eu não era sedentária.

E hoje, lembrei de um jogo que acho que não não é muito divulgado. pelo menos na pesquisa google apareceu muita venda de produto e pouca explicação.

quando tinha meus 5, quiça 6 anos, havia no colégio no areião um poste com uma corda e uma base de cimento. Pra nós, do turno da tarde, aquilo só servia como ponto estratégico no pega-pega. Era a nossa salvação. Lembro também de brincar com montes de terra naquela ilha no meio da areia.

Depois de um tempo, construiram um ginásio e o areião acabou. Junto com ele se foi aquele poste. Mas eis que em 1999, ressurge o mastro quase em frente a minha sala. Naquela época, estava na oitava série, último ano no colégio em que estudei desde os 4 anos. Pertencia a maior turma da escola. Foi aí que descobri esse esporte: o espiribol. na explicação tosca de uma criança.

Cada dia da semana o recreio no espiribol era destinado para uma turma diferente. Como a nossa era maior, tinhamos dois dias. Um para meninas e outro para meninos. Se não me engano, terças e quintas eram nossos dias. Apesar de não ser muito alta, até que me dava bem naquele negócio. E muitas vezes pós-treinos de handebol, volei ou basquete de tarde, as meninas conseguiam a bola para jogar o espiribol. tempos felizes aqueles. literalmente, passava o dia no colégio. Aula de manhã, e de tarde diversos compromissos: grupo de jovens, coral, grêmio estudantil e muitos treinos. O mais engraçado é saber os bastidores. Treinava por bondade do técnico, pois sempre fui muito ruim, mas todas minhas amigas estavam lá e tal… entrei no coral por bondade, sempre fui fora de ritmo. participava de tudo que acontecia lá. E me divertia muito. Com 13 anos, me sentia, as vezes, dona do mundo. Se não dona, pelo menos alguém muito importante.

Outra coisa.

na terceira série, a quadra também era divida pelas turmas. só os meninos. mas durante um tempo, nossos colegas deixavam as gurias jogarem. Era bem divertido. Até que um belo dia, um colega que jogava muito mal e ficava no banco, reclamou pro irmão. E sei lá, sendo um irmão com votos e tal, machista, que proibiu as gurias de jogarem futebol com os guris. Isso que teve reclamação nossa e deles. sei, que as meninas, ficaram sem o futebol.

e no fim, misturei de tudo um pouco. e tudo o mais. são recordações, apenas isso.

Noite feliz

futebol e cerveja, a de hoje.

mas também poderia ser filmes toscos e café\chá.

vinho e amigos.

música e dança.

há outras.

mas hoje não trocaria meu radinho, tv e cerveja.  ok,  e internet também.

Noite de terça-feira

E a lua brilha na minha janela. O rádio toca uma bela canção.

Indo, vindo, surpreendendo.

E a vida pulsa dentro de mim.

A volta

Retorno das férias com dia chuvoso. A volta da fila no RU. A volta de ônibus lotados. Pessoas felizes com o primeiro dia de aula. Sendo meu décimo semestre, não vejo a hora de sair logo da faculdade. Lógico, sentirei saudades da biblioteca e do ru, algumas aulas. Mas o encantamento já terminou.

E hoje, levei um susto ao ver uma loja já preparando a decoração da páscoa. sei lá, as vezes não acompanho o tempo capitalista.

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