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Sorte, Brian

Noite de domingo, depois do show do Arturo Sandoval, fui pro ponto de ônibus esperar o T7. Enquanto os minutos passavam e ele não vinha, tive minha atenção presa por um casal que discutia. Estava longe e tentei ser discreta (apesar da briga, eles também estavam discretos), mas fiquei pensando sobre relacionamentos, brigas e lugares públicos. Eles saíram. Segui a espera do ônibus e novamente minha atenção foi tomada por um outro casal. Esse estava ao meu lado e isso permitiu que escutasse a conversa do cara ao telefone.

“Vó tô aqui com a Mi, ela tá bem mal. O Brian vai fazer uma cirurgia na quinta e ela quer que a senhora coloque o nome dele nas orações, bláblá.”

E nisso, seguia a longa espera pelo T7. Nesse tempo, a menina (uma mulher, na verdade), chorava e parava. Um choro contido, baixinho, dolorido. E o cara sempre ao seu lado falando palavras de consolo. Deu para entender que Brian é o filho dela, nada mais.

T7 chegou, subi e sentei perto do cobrador. Eles foram para o fundo. Descemos na mesma parada. O caminhar deles era mais rápido do que o meu. Mãos dadas. Mulher com semblante perturbado. Homem tentando consolar.

Eu segui com a minha música do mp3. Mas lembrei que hoje é quinta, o dia da cirurgia do Brian. Que nem sei a idade dele e nem do que sofre.  Vontade eu tive de chegar para ela e dizer: vai terminar tudo bem. Mas que garantias eu tinha? Só sei que espero que tenha dado tudo certo.

Balanço

Criei meu primeiro blogue em abril de 2007, mais de dois anos. e esses dias aproveitei e reli todos os posts. Tanto do primeiro como desse. E o que me atingiu foi um baque cheio de sensações:. alegria, surpresa, saudade e até certa tristeza. Não lembrava o tanto que reclamava por ser incompleta, outros textos me tocaram (principalmente esse), vi que coisas que achava antes impossíveis de viver sem consigo tranquilamente hoje em dia. Aprendi a ser mais leve, a não me cobrar tanto, a rir mais e a viver mais o presente sem tantas preocupações futuras. E o que isso me trouxe?

Mais sorrisos, mais momentos felizes, completos. Não vou negar que ainda tenho dias péssimos, e que bom que eles existem. Atráves dele vejo o como é bom ter um dia de sol depois de uma tempestade – e sim, a tempestade também tem seu valor. Minha formatura está quase certa que não vai ser nesse semestre, novamente. E isso já não me causa tanto pavor.

Digamos que cresci e aprendi a conviver que essa mulher aqui. Tenho muita coisa para melhorar ainda. E creio que nunca estarei satisfeita, ainda bem!

Pequenas bobagens, mas uso mais exclamação nos textos. Já andei de avião. e conheci uma penca de gente nova. Alguns de passagem, outros que ficaram e espero que permaneçam.

Me sinto mais esperta para vida e mesmo com tudo que aconeteceu esse ano (vó e vô), 2009 tem sido muito bom mesmo. tentarei aparecer mais por aqui. boa semana!

Dia dos Namorados

Lembro até hoje o primeiro presente que ganhei nos dia dos namorados. Um lindo ramalhete de rosas vermelhas. mas o melhor foi o cartão: “Feliz dia dos Namorados! Da tua eterna enamorada, vovó”.

Esse é o primeiro ano que passo sem ela. Sorte que estarei viajando. Mas a saudade aperta quando lembro disso. O cartão está bem guardado junto a outras cartas e bilhetes de amigos queridos. É difícil perceber/aceitar que as pessoas a quem amamos também envelhecem. Principalmente, aquelas que tu sabe que possuem um amor incondicional por ti.

Nessa semana que se aproxima, escutarei um belo bolero em tua homenagem vó.

Volta temporária

Nesses últimos meses, me afastei mesmo do ultima pohia. Havia até decidido não mais atualizar. Mas hoje deu uma vontade de voltar aqui…

No próximo domingo completa 4 meses da morte da vó. E no dia 9, fez 3 da do vô. Segue – e acho que por muito tempo vai ser – estranho estar em São Gabriel sem eles. Lá é que a saudade aperta. Sonhei muito com eles. A maioria coisa boa. Muitas despedidas. É minha maior lamentação não ter dado o tchau derradeiro.

Um dos pontos positivos disso tudo foi a aproximação de alguns familiares. A dor faz crescer e acaba por unir. No entanto, nem tudo são flores. Sempre há aquelas pessoas que não respeitam a dor e complicam tudo. Infelizmente, quem enfrenta isso é a mãe.

Gosto de lembrar deles. Da vida que levaram e do amor que compartilharam. Penso em tudo isso como parte de mim, da família e de quem eu sou. Posso ter memórias falhas, preenchidas pela imaginação, mas no fim os nós são tão perfeitos que tudo se confunde com a realidade.

As vezes paro para pensar na vida, pesar o meu caminho e escolhas. Se isso mesmo é o que me faz feliz. Não tenho respostas. Nem sei se há uma forma de tê-las. No entanto, quando dou esse tempo me esforço ao máximo para tentar, ao menos, seguir o rumo deles. Não as práticas da vida, mas a vontade de viver e se entregar.

A única coisa que não quero ser igual é nas mágoas. Se chegar aos 70, quero estar vivendo o presente ainda. Com planos e esperança, não quero dividir a casa somente com fantasmas do passado. Respeito a existência deles, mas não será todo o dia que estarão circulando livremente. Resta o armário. Ou mlehor um baú. Lá já estão as melhores lembranças da minha infãncia e antigos sonhos para o futuro.

Era uma vez…

em que eu não era sedentária.

E hoje, lembrei de um jogo que acho que não não é muito divulgado. pelo menos na pesquisa google apareceu muita venda de produto e pouca explicação.

quando tinha meus 5, quiça 6 anos, havia no colégio no areião um poste com uma corda e uma base de cimento. Pra nós, do turno da tarde, aquilo só servia como ponto estratégico no pega-pega. Era a nossa salvação. Lembro também de brincar com montes de terra naquela ilha no meio da areia.

Depois de um tempo, construiram um ginásio e o areião acabou. Junto com ele se foi aquele poste. Mas eis que em 1999, ressurge o mastro quase em frente a minha sala. Naquela época, estava na oitava série, último ano no colégio em que estudei desde os 4 anos. Pertencia a maior turma da escola. Foi aí que descobri esse esporte: o espiribol. na explicação tosca de uma criança.

Cada dia da semana o recreio no espiribol era destinado para uma turma diferente. Como a nossa era maior, tinhamos dois dias. Um para meninas e outro para meninos. Se não me engano, terças e quintas eram nossos dias. Apesar de não ser muito alta, até que me dava bem naquele negócio. E muitas vezes pós-treinos de handebol, volei ou basquete de tarde, as meninas conseguiam a bola para jogar o espiribol. tempos felizes aqueles. literalmente, passava o dia no colégio. Aula de manhã, e de tarde diversos compromissos: grupo de jovens, coral, grêmio estudantil e muitos treinos. O mais engraçado é saber os bastidores. Treinava por bondade do técnico, pois sempre fui muito ruim, mas todas minhas amigas estavam lá e tal… entrei no coral por bondade, sempre fui fora de ritmo. participava de tudo que acontecia lá. E me divertia muito. Com 13 anos, me sentia, as vezes, dona do mundo. Se não dona, pelo menos alguém muito importante.

Outra coisa.

na terceira série, a quadra também era divida pelas turmas. só os meninos. mas durante um tempo, nossos colegas deixavam as gurias jogarem. Era bem divertido. Até que um belo dia, um colega que jogava muito mal e ficava no banco, reclamou pro irmão. E sei lá, sendo um irmão com votos e tal, machista, que proibiu as gurias de jogarem futebol com os guris. Isso que teve reclamação nossa e deles. sei, que as meninas, ficaram sem o futebol.

e no fim, misturei de tudo um pouco. e tudo o mais. são recordações, apenas isso.

Noite feliz

futebol e cerveja, a de hoje.

mas também poderia ser filmes toscos e café\chá.

vinho e amigos.

música e dança.

há outras.

mas hoje não trocaria meu radinho, tv e cerveja.  ok,  e internet também.

Noite de terça-feira

E a lua brilha na minha janela. O rádio toca uma bela canção.

Indo, vindo, surpreendendo.

E a vida pulsa dentro de mim.

A volta

Retorno das férias com dia chuvoso. A volta da fila no RU. A volta de ônibus lotados. Pessoas felizes com o primeiro dia de aula. Sendo meu décimo semestre, não vejo a hora de sair logo da faculdade. Lógico, sentirei saudades da biblioteca e do ru, algumas aulas. Mas o encantamento já terminou.

E hoje, levei um susto ao ver uma loja já preparando a decoração da páscoa. sei lá, as vezes não acompanho o tempo capitalista.

Adeus velho barreiro

depois de uma semana e alguns dias venho aqui escrever que perdi meu avô também nesse ano. na verdade, ele era meu vôdrasto, segundo marido da minha vó. Ele nunca foi muito carinhoso, quando pequena queria que eu o chamasse de tio. Mas sempre insisti no vô. E para ver o tão complexa é minha família, meu vô verdadeiro tinha ciumes dele. Nunca falou nada para mim, soube disso depois de sua morte, quando tinha nove anos.

A mãe acreditava que logo seu padrasto iria arrumar outra. Achava isso meio descabido para um homem de 88 anos, viuvo há 20 dias. No domingo, um dia depois do meu aniversário, fomos lá. A mãe seguia indo quase todo dia, arrumando remédios e coisa e tal. Nessa tarde, discutimos a medicina. Ele não acreditava nela, apesar de estar em seu segundo marcapasso. Na saída, ouvimos a frase derradeira: eu vou morrer é de bala. Nas duas quadras na volta para casa, discutimos operigo dele cometer suicídio. Pensaríamos nisso nos próximos dias.

segunda cedo, peguei o onibus de volta para Porto Alegre. Recebi uma ligação da menina da loja deles e achei meio estranha, mas tá, segui a viagem com meus planos na festa de formatura. Meia hora depois ligou a mãe.

- Su, teu vô morreu.

Não soube como reagir. No meio de gente desconhecida, presa no meio da estrada, não pude expressar minha dor. Por sorte consegui dormir e me contive. Acordei achando que era mentira. Cheguei no trabalho e quando meu colega perguntou como estava. Desabei. Senti vergonha de chorar no trabalho, mas era lá que encontrei um ombro amigo.

Os dias se seguiram. Notícias de São Gabriel não muito agradaveis. vontade de falar verdades não tão bem-vindas. Minhas verdades. não sei até que ponto são verdades. por aqui, tentava manter a tranquilidade. fingir que estava tudo bem. a máscara caiu atraves de uma conversa desastrada onde não fui bem interpretada ou não quiseram me entender. não sei. depois disso, o choro. finalmente o choro corria livramente. assumi que estou com medo da situação, que de repente não sou tão forte o quanto pareço ser ou quero parecer.

essa noite. admito a saudade e o desiquilibrio que a falta deles faz. lembro da foto do brizola na parede, os ensinamentos sobre plantas, a dança do bolero mexicano do trio los panchos em meio a recordações do passado e admiração pelo João de barro. O barreiro em suas palavras. o cuidado com um que a cada ano mudava de poste. ano que vem seria o dele, segundo seus cálculos. não sei se ele estaria certo. não sei qual era o casal de barreiro que ele cuidava.

sei que morreu do jeito que muitos querem. dormindo. depois de uma derrota do seu time para seu maior arquirival. não sei se sentiu medo e nem seus últimos pensamentos. assim como não soube os da vó. sem chance de despedida.

sei lá, mas sentia que no último ano havia conquistado sua admiração. teria me transformado na defensora de suas crenças. os únicos da famílias que são ateus, os mais convictos na política.

e mesmo com tudo isso me sentia distante dele, dela. Sinto que todos os meus avôs não me conheceram, assim como meu pai. Da família, acho que só a mãe sabe como sou um pouco mais. Assim, como sinto que não os conheci.

A foto com o pandeiro da vó nos seu 17 anos mexe com minha imaginação. A infância sem rumo do vôdrasto também. Assim como o sentimento amoroso do vô verdadeiro.

Quebra-cabeça da vida. Não sei bem como a situação vai se resolver e nem como terminar com esses pensamentos, textos e medos. Vou tentar encarar. Essa é a meta.

enquanto isso, torço pela paz do velho barreiro e da minha princesa. quem sabe um dia, isso tudo fará mais sentido.

Eu já fiz

Já dancei Thalia e Chiquititas no colégio. Cantei Only You e Amigos para sempre também na escola. Dancei de mamãe noel e flor na época do balé. Fui prenda Farroupilha do CTG Tarumã com 7 anos. Pintei guardanapos para a mãe e vó. Toquei Mucama Bonita e Pastorzinho no teclado. Fui várias vezes Maria a mãe de jesus e também a Maria – que nada falava apenas sorria. Mordi um cachorro que me mordeu. Coloquei nomes em todos os ursos de pelúcia, alguns eletrodomésticos e nas duas plantas que tive. Quebrei os dentes, duas vezes. Fora eles nunca quebrei nada. Um balanço bateu em mim. Tropecei em uma merda vaca e rolei morro abaixo machucando o joelho. Me perderam na praia, na rodoviária e em um shopping. Já fiquei com a língua toda azul no meio de muita gente. Já me afoguei no mar. Já mostrei a bunda pra primeira lua cheia do ano. Escrevi poemas para meus cãezinhos que morreram. Um raio já caiu na minha casa. Já tive depressão. Já rolei de rir. Já brinquei de arminhas dágua com óculos de mergulho no meio da rua. Já passei trote telefônico. Comi um pedaço do meu primeiro bolo de terra que fiz com 4 anos. Já tive catapora. Fiz catequese e crisma, hoje sou ateia. Já tive medo de fantasma, ets, ladrões e de dar descarga no meio da noite. Tenho pânico de rato e por eles já fiz muitos fiascos. Não olho filme de terror. Já fui o marido em um casamento caipira. Fundei um grupo de proteção ambiental que nunca fez nada. E em vez da tão sonhada casa na árvore ou subterrânea, construí uma barraca de lona. matei barata e tive aquário de formiga. Já quis ser artista e arqueologa. Lia Contigo toda a semana. Fui ao show do Chico Buarque. Fiz pizza com isopor e derreti uma torradeira. Andei de carroça e me atolei no barro. Teve a época que não comia queijo, carne e feijão. Já esqueci quem eu era. E já me enganei achando que sabia coisas que nem fazia ideia. Já dei mancadas, menti e magoei. Já fiz os outros rirem. De tanto já fiz montei o que sou.

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